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Correlates of sleep-onset REM periods during the Multiple Sleep Latency Test in community adults

Brain (2006) 129, 1609-1623

 SOREMPs  em adultos controles no TLMS

Resumo do artigo e comentários:

 

A Academia Americana de Medicina do Sono classifica a narcolepsia separadamente em narcolepsia com e sem cataplexia. O diagnóstico da narcolepsia com cataplexia é baseado na existência definitiva de episódios de cataplexia (fraqueza muscular desencadeada por emoções) e confirmado pelo Teste das Latências Múltiplas de Sono (TLMS) com a presença de latência média de sono igual ou inferior a 8 minutos e dois ou mais episódios de sono REM precoce (SOREMP).

No diagnóstico da narcolepsia sem cataplexia é imperativo o TLMS, aliás, exame que foi desenvolvido para essa finalidade. Caso esse exame não confirme a hipótese, parte-se para a tipagem HLA (a narcolepsia está associada ao HLA DQB1*0602). Se a tipagem for negativa exclui-se o diagnóstico. Se for positiva pode-se repetir o TLMS ou partir para a dosagem de hipocretina 1 no líquido cefalorraquidiano. Na narcolepsia a hipocretina 1 costuma estar reduzida abaixo de 110 pg/ml.

 

 

Objetivos do Estudo

Avaliar na população a taxa de ocorrência de SOREMP através do TLMS, promovendo o diagnóstico de narcolepsia, sua especificidade e limitações diagnósticas.

 

Desenho do estudo

Estudo retrospectivo de dados coletados em indivíduos com múltiplos episódios de REM na TLMS.

 

População o estudo

População que participou do Winsconsin Sleep Cohort Study, que completaram diários de sono e realizaram polissonografia (PSG) seguida de TLMS: 289 homens e 267 mulheres, idade entre 35 e 70 anos, 97% caucasianos.

 

Métodos utilizados no estudo

Todos participantes completaram diários de sono por uma semana antecedendo a PSG e o TLMS, que consistia de quatro sonecas programadas, com uma quinta se o sono REM houvesse ocorrido em uma das antecedentes.  A Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) foi avaliada através de dois canais de fluxo aéreo (plestimografia de indutância e fluxo aéreo), amplitude dos sinais de caixa torácica e abdome. Todas as variáveis foram consideradas para idade, gênero, índice de massa corpórea (IMC), tipagem de HLA DQBI*0602 e informações sobre o trabalho, sintomas de narcolepsia, saúde mental, sonolência, uso de medicações e hábitos de sono. Como ocorreram diferenças significativas entre os gêneros, na análise eles foram separados.

 

Resultados do Estudo

Foram observados em 13, 1 % dos homens e 5,6% das mulheres dois ou mais SOREMPs na TLMS, e, 5,9% dos homens e 1,1% das mulheres preenchiam os critérios laboratoriais da Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono, 2ª edição (CIDS-2) para narcolepsia sem cataplexia (≥ 2 SOREMPs e média das latências≤ a 8 minutos na TLMS, sem história de cataplexia. O diagnóstico de narcolepsia sem cataplexia também requer a queixa  de sonolência excessiva. No estudo 4,2% dos homens e 0,4% das mulheres que preenchiam os critérios na TLMS acima citados, apresentavam também queixas subjetivas de sonolência  e Escala de Sonolência  de Epworth com valor ≥ 11.

A análise das características do sono REM nas sonecas durante o TLMS revelou que os indivíduos HLA DQB1*0602 positivos apresentavam maior duração dos episódios de REM. Nos outros parâmetros analisados não se observaram diferenças.

 

Conclusões do Estudo

A ocorrência de dois ou mais SOREMPs no TLMS é freqüente na população normal com e sem sonolência e ocorre na proporção de 2 homens para 1 mulher.

A narcolepsia sem cataplexia pode ser mais comum, sendo possivelmente subdiagnosticada. A forte relação entre os SOREMPs e o HLA sugere que a narcolepsia possa ser um ponto extremo em  um espectro biológico, envolvendo uma vasta gama de severidade.

 Comentários

Na população avaliada, 13,1% dos homens e 5,6% das mulheres preenchiam os critérios diagnósticos da Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono pra narcolepsia sem cataplexia, resultando numa prevalência 30 vezes maior do que a indicada nos estudos para narcolepsia com cataplexia (0,02-0,05%), chamando atenção para dois aspectos importantes a serem comentados.

Primeiramente o subdiagnóstico da narcolepsia. A coincidência com o a positividade do HLA DQBI*0602 nos casos nos faz acreditar que quando sem a cataplexia, que é sintoma mais característico da narcolepsia, o diagnóstico é difícil e provavelmente não cogitado em muitos casos. Por outro lado, os achados encontrados no estudo reforçam a necessidade dos cuidados pré-exame com higiene do sono rigorosa, evitar privação de sono antecedendo-se o exame, drogas supressoras de sono REM, analisado a caso a caso com criteriosamente.

Frente a um paciente com queixa de sonolência excessiva diurna, portanto colega cabe uma completa e criteriosa avaliação.




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