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Proposta de um Glossário de termos traduzidos de uso frequente em Neurociências da Cognição e Comportamento

Autores
Francisco AC Vale (coordenador), Anita Taub, Cláudia S Porto, Eliasz Engelhardt, Isabel Carvalho, Ivan Okamoto, Letícia L Mansur, Márcia Novelli, Maria Paula Foss, Maria Teresa Carthery-Goulart, Mirna LH Senaha, Paulo Caramelli, Paulo HB Bertolucci, Ricardo Nitrini, Sônia MD Brucki. Grupo de Trabalho do Glossário.

O Grupo de Trabalho do Glossário (coordenador: Francisco AC Vale, Dr) foi iniciado na III Reunião de Pesquisadores em Doença de Alzheimer e Desordens Relacionadas - III RPDA (Rio de Janeiro, 2001) e concluído na IV RPDA (Rio de Janeiro, 2003).

Dr. Francisco AC Vale – Grupo de Neurologia Comportamental do HCFMRP. Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP - Depto. de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica. Campus da USP – Monte Alegre. Ribeirão Preto, SP 14048-900 facvale@hcrp.fmrp.usp.br.

RESUMO
As pesquisas em Neurociências da Cognição e Comportamento (NCC) no nosso país são presentemente significativas, a julgar pelo número e qualidade das publicações em periódicos nacionais e estrangeiros por autores brasileiros, pela ocorrência constante de eventos científicos específicos e pelo crescente espaço dedicado à área em eventos científicos gerais. Os profissionais atuantes em NCC pertencem a diversas áreas, desenvolvendo pesquisas básicas e clínicas.

Nas publicações em nosso país, é freqüente utilizar-se terminologia estrangeira sem tradução; embora em alguns casos a tradução possa ser difícil, na maioria das vezes não se justifica a utilização do termo em outro idioma. As traduções para um mesmo termo podem variar muito, a critério do conhecimento da língua estrangeira pelo autor ou de sua interpretação. Ambas as situações dificultam a compreensão do texto e a sua comparação com outros.

Com o objetivo de se uniformizarem as traduções para o Português em nosso país, é proposto um glossário de termos traduzidos freqüentemente utilizados em NCC. Sua utilização é encorajada por resultar de um trabalho consensual, não obstante deve ser ressaltado que essa lista inicial é muito reduzida e apenas representa o início de um trabalho para ser continuado.

Palavras-chaves: Glossário, Terminologia, Neurociências, Cognição, Comportamento.

ABSTRACT
Research on Cognitive and Behavioral Neurosciences (CBN) is currently significant in our country, by taking into consideration the number of papers published by Brazilian authors in important national and international journals, the frequent occurrence of specific events and the increasing time dedicated to the area in general scientific events. The increasing number of professionals interested in this area is engaged in basic and clinical research related to their different backgrounds.

Not translated terms are commonly used in papers published in our country. Although the translation may be difficult in several cases, most of times the use of foreign words is not necessary. On the other hand, the same term may receive different translations according to the knowledge and interpretation of the authors. Either situation may compromise the text comprehension.

A glossary of terms of frequent use in CBN translated to Portuguese is proposed with the objective of turning the translations to our language more uniform. Its use is encouraged because it is the result of a consensual work, nevertheless it must be stressed that this initial list is very limited and only represents the beginning of a work to be continued.

Key words: Glossary, Terminology, Neurosciences, Cognition, Behavior.

INTRODUÇÃO
Presentemente, as pesquisas em Neurociências da Cognição e Comportamento (NCC) no nosso país são significativas, o que pode ser evidenciado principalmente pelo número e qualidade das publicações em periódicos nacionais e estrangeiros por autores brasileiros, pela ocorrência constante de eventos científicos específicos e pelo crescente espaço dedicado à área em eventos científicos como congressos nacionais ou regionais.

Os profissionais atuantes em NCC pertencem a diversas áreas, desenvolvendo pesquisas básicas e clínicas, incluindo Neurologia, Psiquiatria, Geriatria e Gerontologia, Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Enfermagem, Fisioterapia, Biologia, dentre outras. O interesse dos profissionais dessas áreas pelas NCC é crescente. Em recente inquérito de auto-avaliação com 196 neurologistas no Estado de São Paulo, mais da metade informou estar envolvida com atividades de ensino e/ou pesquisa, e 83,0% declararam ter interesse em distúrbios cognitivos e demências igual ou maior que por outras áreas neurológicas 1.

Nas publicações em nosso país, é freqüente utilizar-se terminologia estrangeira sem tradução, por exemplo, span, working memory, insight, escala CDR (de Clinical Dementia Rating). Embora em alguns casos a tradução possa ser deveras difícil, na maioria das vezes não se justifica a utilização do termo em língua estrangeira. Outras vezes, as traduções para um mesmo termo variam muito, a critério do conhecimento do idioma pelo autor ou de sua interpretação. Ambas as situações dificultam a compreensão do texto e a sua comparação com outros. Ocorre, então, a necessidade de se uniformizarem as traduções dos termos utilizados em NCC para o Português em nosso país, justificando a proposta desse trabalho.

OBJETIVO
Elaborar a proposta de um glossário de termos traduzidos freqüentemente utilizados em NCC, com o objetivo principal de se uniformizarem as traduções para o Português em nosso país.

MÉTODO
A idéia da elaboração do glossário foi apresentada na III Reunião de Pesquisadores em Doença de Alzheimer e Desordens Relacionadas (III RPDA), realizada na cidade de Rio de Janeiro, em 2001, e seu autor designado para coordenar um grupo que se denominou Grupo de Trabalho do Glossário.

O trabalho foi realizado em diversas etapas: (1) inicialmente, foi realizada pelo coordenador uma revisão de literatura de língua inglesa para a compilação de termos mais freqüentemente utilizados em NCC, chegando-se a uma lista de 640 termos. Então, (2) foi realizada uma primeira tradução e (3) a lista foi enviada por correio eletrônico para um grupo de profissionais interessados em NCC, de diversas áreas, incluindo Neurologia, Psiquiatria, Geriatria, Gerontologia, Psicologia, Fonoaudiologia, Enfermagem, Terapia Ocupacional e Biologia, dentre outras. O grupo de profissionais fora inicialmente constituído na III RPDA e posteriormente acrescido com nomes sugeridos pelos próprios componentes. Apesar de ser uma maneira consensual, certamente deixaram de ser alcançados diversos profissionais que poderiam ter oferecido uma grande contribuição. Foi solicitado ao grupo que sugerisse traduções para os termos não traduzidos, como também outras traduções para os termos já traduzidos, quando possível; e propusesse outros termos para serem acrescentados; foram obtidas respostas de 14 dos 42 profissionais contatados. (4) Foi consultada uma professora de inglês fluente nas duas línguas para os termos que tiveram mais de uma tradução e para as quais não houve consenso. E (5) uma lista com 680 termos traduzidos foi apresentada na IV RPDA, para discussão e contribuições adicionais.

Para os trabalhos de tradução pelo coordenador, foram utilizados dicionários técnicos, de tradução inglês-português/português-inglês e da língua portuguesa 2-15.

RESULTADO E DISCUSSÃO
Apresenta-se uma lista de termos utilizados em NCC com as traduções propostas (Tabela).

Muitos termos têm mais de uma tradução possível e para alguns deles não há um consenso sobre qual seja a melhor tradução; nesses casos, optou-se por se apresentarem as várias possibilidades.

Em alguns casos, o termo recebeu uma tradução inadequada que foi mantida por ter utilização freqüente nos textos até o presente (ex.: memória de trabalho para working memory); contudo, sua substituição é aconselhada.

Alguns acrônimos em inglês têm uma utilização corrente em nosso país (ex.: CDR de Clinical Dementia Rating); entretanto, não haveria desvantagem na utilização do acrônimo da tradução (no caso, ECD para Estagiamento Clínico da Demência).

Alguns termos em inglês têm um significado além do que qualquer tradução (ex.: span, insight); na verdade, mesmo no idioma original essas palavras são demasiadamente restritas para definir o significado técnico. Dessa forma, foram propostas traduções, acreditando-se que sua utilização constante, em contexto técnico, consolidará seu significado na nossa língua.

Alguns termos merecem comentários específicos: Déficit (como em attention deficit and hyperactivity disorder) - manteve-se a tradução déficit como significado de deficiência pela sua utilização corrente, embora não assegurado pelo vernáculo. Delayed (como em delayed recall) - foi mantido tardio pela utilização corrente, embora essa seja melhor tradução para late, e proposto com atraso (como em recordação/evocação com atraso). Demented - foi proposto o neologismo demenciado, já utilizado por muitos e sem o peso dos termos demente e dementado. Impairment (como em mild cognitive impairment) - foi proposto comprometimento pela sua utilização corrente, além de deficiência, que é a tradução pelo Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doenças em Português 16. Da mesma forma, foram propostos incapacidade para disability e desvantagem para handicap. Insight - foi proposto introvisão, porém mantido o termo original tal a sua utilização corrente em outras línguas. Mini-Mental State Examination (MMSE) - foi proposto Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), com hífen, pois mini- é um elemento de composição tipo prefixo e refere-se a exame do estado mental e não apenas a exame. Priming - foi proposto preparação em lugar do algumas vezes utilizado pré-ativação. Recall - foi proposto recordação como melhor tradução que a correntemente utilizada evocação. Severe - além de grave, foram propostos acentuado(a) e avançado(a) porque foram consagrados pela utilização embora equivocada. Severerity - foi proposto gravidade quando se refere a intensidade ou prognóstico (como em gravidade da demência para dementia severity) em vez do corrente porém equivocado severidade. Span - foi proposto amplitude, como em amplitude de dígitos para digit span. Visuoconstructional, visuomotor, visuospacial - foram propostos visual-construtivo(a), visual-motor(a) e visual-espacial, respectivamente, porque não existem os prefixos viso- ou vísuo-, como às vezes são utilizados. Working memory - foi proposto memória trabalhadora, o adjetivo para substituir a freqüentemente utilizada porém equivocada locução de trabalho.

Por resultar de um trabalho consensual, a utilização desse glossário é encorajada. Não obstante, deve ser ressaltado que essa lista inicial é muito reduzida e apenas representa o início de um trabalho para ser continuado.

Tabela. Termos traduzidos utilizados em neurociências da cognição e comportamento.




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