Login: Senha:
Membros da Academia
Médicos, residentes, estudantes
Público Leigo
Boletim Neuro Atual
Arquivos de Neuro-Psiquiatria
Dementia & Neuropsychologia
Neurobiologia
Revista Neurociências
Classificados
Classificados profissionais



COMUNICADOS
Home > Comunicados

17/12/2012
Demografia Médica SP :: Principais conclusões

1. Os dados aqui apresentados sobre o cenário paulista chamam a atenção para desigualdades na distribuição de médicos, já explicitadas no estudo Demografia Médica no Brasil, quando foram comparados estados e regiões. Também a exemplo do levantamento nacional, São Paulo assistiu a um crescimento exponencial do número de médicos, com aumento da população de médicos maior que o da população em geral, maior entrada do que saída de profissionais do mercado de trabalho, além de um perfil jovem e cada vez mais feminino da profissão.
2. Ao utilizar os Departamentos Regionais de Saúde, recorte administrativo que define 17 “regiões” de saúde no estado, surgem diferenças importantes entre a cidade-sede e os demais municípios que compõem a região. A concentração de médicos em extremos como cidades do Vale da Ribeira e a capital São Paulo – separados por três horas de estrada – ilustra a desigualdade que ainda persiste no estado mais rico da Federação. Também aqui, como se viu na Demografia Médica no Brasil, a solução simplista de abertura de mais escolas e mais médicos pode não ser o melhor caminho.
3. Nos últimos dez anos, o aumento em porcentagem de profissionais no Estado de São Paulo foi 4,39 vezes maior que o da população. De 1960 a 2010, o número de médicos paulistas saltou quase 1.300%. Esse crescimento exponencial, e as escolas médicas que já chegavam a 36 em julho de 2012 , não bastaram para reduzir os vazios de profissionais no Estado. No entanto, certamente contribuíram para aumentar as concentrações de médicos em torno da capital e dos grandes polos. A Regional de Ribeirão Preto, por exemplo, tem a maior razão de médicos por 1.000 habitantes entre todos os Departamentos, 3,17. Três outras Regionais possuem taxas acima de 2 médicos por 1.000 moradores – a Grande São Paulo, com razão de 2,88, Campinas, com 2,45, São José do Rio Preto, com 2,27. O Departamento da Grande São Paulo reúne 57,59% de todos os profissionais do Estado. No outro extremo, a Regional de Registro tem 0,75 médico por 1.000 habitantes, taxa equivalente à de países africanos. Quando se compara as sedes dos Departamentos com as demais cidades, a diferença também é grande. As cidades de São Paulo, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Campinas, Ribeirão Preto e Santos, por exemplo, têm todas mais de 4 médicos por 1.000 habitantes – média acima da dos países europeus –, enquanto a maioria de suas respectivas regiões têm razão abaixo de 2,5. A razão nacional é de 1,95.
4. O estudo mostra que nos últimos 50 anos não tem havido um movimento de interio¬rização de médicos no território paulista, mas uma concentração em torno das principais cidades. Com isso se repete o ciclo vicioso da desigualdade que prevalece em todo o País, com os grandes centros atraindo mais investimentos, mais escolas e mais serviços de saúde, em detrimento dos municípios menos favorecidos do “interior” das Regionais. A concentração de médicos na Capital e nas grandes cidades do Interior revela uma tendência que gera desigualdades e preocupação, pois torna o acesso a médicos em determinados municípios paulistas tão difícil quanto em regiões pobres do interior do País.
5. A pesquisa demonstrou que a concentração de médicos especialistas em São Paulo segue a concentração regional de médicos em geral. Ou seja, onde supostamente faltam médicos, também faltam especialistas. As quatro especialidades com mais médicos reúnem 34,47% dos especialistas: Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral e Clínica Médica. A presença marcante de jovens e de mulheres nessas especialidades revela as tendências de juvenização e de feminização, que se observa também no conjunto da categoria.
6. Há um arranjo que resulta em mais médicos generalistas (sem título) nas regiões com menor número de profissionais. A Regional de Registro, por exemplo, com uma das menores taxas médico-habitante do país (0,75), tem 50,7% dos seus profissionais sem titulação, quando a média no estado é de 44,1%.
7. Um olhar sobre a distribuição dos especialistas e das especialidades pelas Regionais pode contribuir para redefinições do mapa das necessidades no estado. Mais especialistas nem sempre quer dizer melhor assistência. Também não se deve esperar que serviços especia¬lizados se instalem em regiões pouco adensadas, mesmo que distantes, pois não haverá volume para manter, nem a qualidade, nem o investimento público.
8. Questionar a distribuição da mão-de-obra médica no território paulista, especializada e generalista, é uma das propostas desse levantamento. Trata-se, no entanto, de estudo descritivo e preliminar, que não dá todas as respostas sobre o velho dilema da escassez de médicos em pontos localizados do sistema de saúde. Já se sabe, por experiência no país e lá fora, que não há modelo teórico ou científico unanimemente aceito para prever ou precisar a necessidade de médicos. Afinal, a inserção e localização do profissional podem ser influenciadas por interesses e fatores, pessoais, institucionais, corporativos, políticos e epidemiológicos. Também pesam os recursos, a organização e o financiamento público e privado do sistema de saúde, o que demanda nov os e aprofundados estudos.

9. Cabe aqui uma consideração à anunciada política do governo federal de alcançar, por meio da abertura de novos cursos de Medicina, uma taxa nacional de 2,5 médicos por 1.000 habitantes. Pois o Estado de São Paulo já ostenta tal concentração almejada, possui o maior numero de escolas médicas do país e, mesmo assim, mantém desigualdades internas na distribuição de médicos que certamente não serão solucionadas apenas com novos cursos e vagas.

10. Assim como na conclusão do estudo nacional, pode-se afirmar que sem uma política eficaz de presença dos governos estadual e municipais, de atração e de valorização dos médicos por meio de plano de carreira, melhores condições de trabalho e remuneração, supõe-se que a solução não virá simplesmente com o aumento do efetivo médico, via abertura de mais cursos de Medicina. Serão necessárias mudanças estruturais no sistema de saúde, a começar pela solução do subfinanciamento e melhoria da gestão, além de fazer avançar a regionalização da saúde como, aliás, dispõe o Decreto Federal 7508/2011 que regulamentou a Lei no 8.080/90. O financiamento adequado, a melhor integração, organização e planejamento dos sistemas público e privado, a conforma ção das regiões e redes de atenção à saúde, com ações e serviços articulados em níveis de complexidade, com fortalecimento da atenção primária, não só garantirão a ampliação do acesso e a integralidade da assistência à saúde, mas também contribuirão para um melhor equilíbrio e justiça na distribuição e na disponibilidade de médicos em São Paulo e no Brasil.

Demografia Médica do Estado de São Paulo (Suplemento da Demografia Médica no Brasil), Relatório de Pesquisa/Dezembro  de 2012. Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo/Conselho Federal de Medicina.

Fonte: CREMESP

 

Rua Vergueiro 1353 - sl 1404 - 14ºandar - Torre Norte Top Towers Office - São Paulo/SP - Brasil CEP: 04101-000 Tel.+55(11) 5084-9463/5083-3876
Copyright © Academia Brasileira de Neurologia | Política de privacidade e uso de informações