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17/10/2012
Acidentes com motociclistas já são epidemia nacional

O Brasil vem enfrentando nova epidemia: milhares de acidentes com motociclistas, para os quais a vacina seria a soma de educação, normatização e fiscalização. Segundo levantamento do Ministério da Saúde divulgado em junho, as vítimas passaram de 39 mil a 77 mil de 2008 a 2011, enquanto os gastos do Sistema Único de Saúde foram de R$ 45 milhões para R$ 96 milhões, ou metade das despesas com atendimento de acidentados no trânsito em geral. Aumento de 113% em apenas quatro anos.

O número de mortes cresceu 21%. Entre as vítimas fatais, 89% são homens e 40% têm de 20 a 29 anos. O diretor executivo da Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas e Similares (Abraciclo), José Eduardo Gonçalves, informa que a frota se expandiu, neste mesmo período, em cerca de 50%, chegando a 19 milhões de motocicletas hoje no país.

Para José Luiz Mestrinho, diretor de As suntos Parlamentares da Associação Médica Brasileira, o tema merece mais atenção da sociedade. "Tramitam no Congresso Nacional ou já foram arquivados mais de 100 projetos de lei relativos à prevenção de acidentes com motos, mas nenhum até agora teve resultado prático”, denuncia.

Condições Adversas
São graves as deficiências na atual formação dos condutores. A parte prática dos cursos deveria colocar os futuros motociclistas em condições reais do trânsito, mas isso não ocorre. Inexiste qualquer treinamento que simule conduções de risco na chuva, no escuro, em estradas ou corredores.

Na opinião do diretor presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), José Aurélio Ramalho, a atitude positiva e responsável deveria ser mais enfatizada nesta formação.

Quanto aos equipamentos de segurança obrigatórios, a legislação só fala sobre o protetor de motor, popularmente chamad o de "mata cachorro”, e o capacete, para conduzir motocicletas de baixa cilindrada (até 125) – maioria no país – o que permite incongruências como o motociclista dirigir de bermuda.

Dirceu Alves Rodrigues Júnior, diretor de Comunicação da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), sugere um macacão especial, de couro e acolchoado nas articulações, para melhor proteger o motociclista. "Embora haja certa conscientização sobre o uso do capacete, muitas pessoas não sabem que 73% dos acidentes resultam em lesões graves nos membros inferiores, que levam a infecções, amputações ou óbitos”, considera.

Fiscalização Insuficiente
Comumente vemos motos em conversões proibidas, nas calçadas, acima da velocidade permitida, entre outras infrações. "O governo perdeu a noção do que é vida; preocupa-se em multar os veículos de quatro rodas, mas não se importa com as motocicletas, mesmo diante do r ombo nos gastos públicos”, avalia Mestrinho, da AMB.

A Abraciclo, conforme explica Gonçalves, propõe alterar a legislação. "De acordo com o Hospital das Clínicas, 35% dos motociclistas acidentados estavam sob efeito de álcool ou drogas. Por isso, a habilitação tem que ser considerada como licença, e não como direito; assim podemos tornar o bafÿmetro obrigatório e fiscalizar com mais afinco.”

Além disso, grande número de motociclistas dirige sem carteira específica. "Se houvesse fiscalização, os indivíduos teriam medo da punição e passariam a respeitar as normas”, completa Ramalho, do ONSV.

O Outro Lado
Centenas de motociclistas interditaram a Marginal Pinheiros, a Avenida Paulista e outras vias da capital em junho último. O motivo: novas determinações do Departamento Nacional de Trânsito, exigindo um curso de aprimoramento e modifi cações de segurança nas motos.

O presiden te do Sindicato dos Motoboys de São Paulo (Sindimoto-SP), Gilberto Almeida, protesta contra a pequena oferta de vagas: "São apenas seis escolas para 200 mil condutores. Formando 1,5 mil por mês, demoraria mais de 20 anos para todos estarem aptos”.

Ele avalia, ainda, o macacão especial proposto: "Precisaríamos estudar todos os fatores, como temperatura e valor, mas o Sindimoto-SP apoia toda e qualquer iniciativa que vise o aumento da segurança”.
Em sua visão, é importante ressaltar que nem sempre os motociclistas são os únicos culpados nos acidentes em que estão envolvidos. Pedestres e motoristas também desrespeitam as normas.

Ramalho, do ONSV, lembra que uma medida simples para evitar acidentes é o uso constante e adequado da seta. "A razão individual não pode prevalecer sobre a coletiva.”

Vias Alternativas
A proposta principal do Observatório é a educação para o trânsito desde a infânci a, além de campanhas frequentes de alerta à sociedade.

Uma mudança radical na cultura com relação à mobilidade é o ideal da Abramet. "Nas diversas matérias escolares, as crianças já poderiam aprender sobre situações comuns no trânsito. Já a formação dos condutores precisa ser aprimorada, com a introdução de simuladores”, defende Dirceu Júnior.

Por sua vez, a Abraciclo deve inaugurar até o fim do ano, em investimento conjunto com a Companhia de Engenharia de Tráfego, o Centro Educacional Paulistano de Motociclistas. A intenção é capacitar 20 mil motociclistas já habilitados.

Fonte: APM

 

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