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17/09/2012
Conheça os líderes das paralisações de médicos de planos

Os médicos de São Paulo que no último dia 5 saíram pelas ruas com faixas e megafones --gritando por melhores honorários e anunciando a interrupção do atendimento a clientes de planos de saúde-- são liderados por três doutores especialistas em militância. Além de consultas e cirurgias, eles sabem fazer barulho.

Dois deles atuaram inclusive em movimentos que não são ligados à profissão. O clínico e cardiologista Renato Azevedo Júnior, 57, presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina), foi filiado ao Partido dos Trabalhadores até 1991. O neurocirurgião Cid Célio Jayme Carvalhaes, 66, que está na presidência do Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo), ainda hoje é do PT.

O terceiro da turma é Florisval Meinão, 66, presidente da APM (Associação Paulista de Medicina). Desde sua formatura, em 1973, participa de associações de classe. Na residência, decidiu dedicar-se ao sistema público de saúde --o início de carreira foi no Iamspe (Instituto de Assistência Médica do Servidor Público Estadual).

Florisval presidiu a associação de médicos do instituto e teve cargo de chefia durante 15 anos. Foi também dirigente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e da AMB (Associação Médica Brasileira) antes de ser eleito presidente da APM, em outubro do ano passado. Desde então, afastou-se da vida hospitalar, da qual sente falta. "Em atividade, tinha contato com os residentes, o que me permitia estar sempre atualizado", conta.

A possibilidade de um acordo com os planos é um horizonte que ele não considera distante. "Nos últimos dois anos, passamos a ter um diálogo mais efetivo [com as empresas]. No passado, [a relação] era mais distante."

Seu colega Renato rememora a participação que teve no movimento estudantil e na fundação, em 1980, do PT, ao qual foi filiado por 12 anos. Depois de formado, começou sua carreira no serviço público. "Quando saí da residência, meu sonho era trabalhar na saúde pública. Comecei nos hospitais do Jabaquara e do Ipiranga. Mas, com o tempo, fui me desiludindo com o sistema público."

Renato partiu, então, para o setor privado. Hoje, defende que os contratos com convênios estabeleçam correções periódicas em termos previamente acordados. "Eles têm que se convencer de que precisam parar de ter lucros exorbitantes às custas da exploração do trabalho médico", diz.

Cid Célio é outro veterano da causa. Em 1970, o neurocirurgião foi eleito presidente da ANMR (Associação Nacional de Médicos Residentes). Quatorze anos mais tarde, começou sua relação com o Simesp, que preside desde 2005.

Também tem ligação com o mundo político, mas diz estar afastado da vida partidária, já que, segundo ele, seu sindicato representa médicos de todas as cores políticas. "Temos cerca de 95 mil médicos [filiados], desde agnósticos aos absolutamente apartidários. E temos aqueles que são candidatos, que exercem funções, de diversos partidos", afirma.

Essas três vozes não estão brincando em serviço. Quem tem plano ou seguro de saúde e mora em São Paulo corre o risco de ficar sem consultas no próximo mês. Sob a liderança deles, as principais associações médicas do Estado cogitam suspender, por até 15 dias, o atendimento a clientes de operadoras que serão definidas nos próximos dias.

ENTENDA O CASO

O movimento dos médicos estende-se pelo território nacional e foi responsável por outras paralisações nos últimos anos. Para chamar a atenção da população, houve marchas de jalecos pelas ruas. A última delas, em 5 de setembro, convocou os doutores a não dar consultas no dia seguinte. Em São Paulo, cerca de 300 manifestantes foram da sede da APM até a Câmara Municipal, ambas na região central da capital.

Além dos entraves na arrastada negociação sobre os valores dos honorários, há outras reivindicações. Os médicos defendem o valor mínimo de R$ 80 por consulta. Segundo a APM, a maioria dos planos e seguros paga de R$ 20 a R$ 60. Segundo a classe médica, os reajustes a partir do ano 2000 não acompanharam a inflação, nem o crescimento do faturamento das empresas, nem as correções sobre as mensalidades pagas pelos usuários.

Em defesa dos planos, José Cechin, 61, diretor-executivo da FenaSaúde (Federação Nacional da Saúde Suplementar), que reúne 15 dos maiores grupos de saúde suplementar, diz que o valor médio praticado pelas afiliadas era de R$ 56 no fim de 2011. Segundo ele, o valor cresceu, sim, acima da inflação e dos aumentos de mensalidades. Também aponta que despesas com médicos, exames, aparelhos e internações (pagos pelas empresas) aumentaram no mesmo ritmo em que cresceu a base de beneficiários.

Fonte: Folha de Floripa

 

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