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22/08/2012
Saúde e desenvolvimento sustentável

Fortalecer o sistema de saúde gratuito em todo o mundo faz parte dos compromissos assumidos por 100 chefes de Estado

O mundo inteiro voltou-se para o Brasil em junho, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), a maior já realizada, com a participação de mais de 100 chefes de Estado e 45 mil pessoas de diversos países. Em pauta, discussões sobre como construir um mundo sustentável nos próximos dez anos, com iguais oportunidades de desenvolvimento para nações ricas e pobres, estabelecendo parcerias entre a sociedade civil e o setor privado. Muito se falou sobre a mudança nos padrões de consumo e as novas formas de se relacionar com os recursos esgotáveis da natureza. E a saúde faz parte de cada um desses pontos discutidos.

A Rio + 20 resultou em 692 compromissos firmados a partir do posicionamento de chefes de Estado e da iniciativa de organizações sem fins lucrativos. É sabido que o discurso sobre desenvolvimento sustentável e qualidade de vida é indissociável das políticas sociais determinantes da saúde. Não há tendência "verde” capaz de infl uenciar nações que ainda lutam por comida, água potável e saneamento básico. Em um planeta com mais de 7 bilhões de habitantes, cerca de 2 bilhões de pessoas ainda não têm acesso a água e esgoto encanados no Hemisfério Sul. E 1 bilhão de pessoas não têm o que comer diariamente.

Além disso, as políticas públicas estabelecidas mundialmente ainda estão às voltas com doe nças que tiveram início no século XIX, como a tuberculose, que atinge anualmente 9 milhões de pessoas e mata cerca de 2 milhões delas. Muitos dos problemas de saúde relatados até aqui acontecem em nações africanas, sim, mas também têm seu grau de incidência em países em amplo desenvolvimento, como o Brasil.

A pergunta a fazer diante de um cenário como esse é: como incentivar o consumo sus-tentável se grande parte da população ainda não tem acesso aos direitos básicos para viver? Fome, condições insalubres de moradia e falta de acesso a serviços de saúde gratuitos e de qualidade ainda afetam muitos países ao redor do mundo – mas também cidades tão antagÿnicas como São Paulo, que possui a maior arrecadação de ICMS do Brasil e, ao mesmo tempo, 27% de sua população vivem em bairros de "muito alta vulnerabilidade social”, ou seja, no limite da pobreza ou marginalidade.

SAÚDE NA BERLINDA
A pauta oficial da Rio + 20 h avia elencado as áreas prioritárias para desenvolvimento em todo o mundo. Depois de nove dias de debates, a conferência foi encerrada com um novo documento, intitulado "O futuro que queremos”.

Na certeza de que desenvolvimento sustentável só pode ser conseguido na ausência de situações degradantes para a população, o relatório reconhece a importância de zelar pela saúde de todos, e destaca a grande apreensão dos governos com relação à incidência de HIV, malária, tuberculose, gripe, poliomielite e doenças tropicais negligenciadas. No entanto, o vazio quanto a decisões objetivas mantém os problemas com a saúde no mesmo patamar no qual estão.

Fortalecer a assistência gratuita à saúde faz parte dos compromissos assumidos pelos chefes de Estado. Doenças crÿnicas não transmissíveis, sexual mente transmissíveis, respiratórias e cardiovasculares foram debatidas, dado o tamanho do desafi o que signifi cam para a sociedade, com a recomendação de que os esforços para evitá-las sejam redobrados. Contudo, não houve direcionamento sobre como trans-formar essas preocupações em ações práticas.

Na opinião do presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Florisval Meinão, a Rio + 20 teve um importante papel político, mas frustrou as expectativas dos profi ssionais de saúde, pois não conseguiu propor diretrizes executáveis para resolver os inúmeros problemas ligados ao tema: "Não houve uma proposta consistente de como garantir soluções imediatas para garantir qualidade de vida e condições básicas de saúde à população, por exemplo. Isso é preocupante”, conclui Meinão.

Os desafios da saúde e do desenvolvimento sustentável são uma realidade mundial e fazem parte do cotidiano de governos, empresas e sociedade s civis. Mas também dependem do engajamento de cada cidadão, que precisa conhecer seus direitos e exercer seus deveres na sociedade.

 

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