Login: Senha:
Membros da Academia
Médicos, residentes, estudantes
Público Leigo
Boletim Neuro Atual
Arquivos de Neuro-Psiquiatria
Dementia & Neuropsychologia
Neurobiologia
Revista Neurociências
Classificados
Classificados profissionais



COMUNICADOS
Home > Comunicados

22/08/2012
Especial: O amanhã da saúde em São Paulo

APM avalia a situação do sistema municipal e apresenta propostas para os candidatos à prefeitura

Como está e como deveria ser o acesso e o atendimento do sistema municipal de saúde de São Paulo são questões pertinentes em ano eleitoral. Por isso, a Revista da APM buscou informações com os órgãos públicos, além de ouvir profi ssionais médicos que fazem parte do quadro de funcionários da rede e políticos com histórico na área para levantar os principais desafios da nova administração municipal no segmento. A partir desta iniciati va, a Associação Paulista de Medicina elencou demandas que merecem atenção e investimento por parte da futura gestão (veja na página 20).

Um dos grandes desafi os do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital é o repasse insuficiente de recursos por parte do governo federal, que, há 10 anos custeava cerca de 60% dos gastos da saúde no Brasil e, hoje, arca com apenas 47%. Assim, a destinação de 10% das receitas correntes brutas da União para a saúde é uma luta que a classe médica encabeça por acreditar ser crucial para solucionar as deficiências do sistema. Embora haja avanços em áreas de relevância como, p or exemplo, a atenção básica, com o aumento das equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF), entre outras ações, a cobertura ainda está distante da proposta de atender até 80% dos problemas mais frequentes com resolubilidade de 95% sobre o total.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, hoje a cidade conta com 937 unidades de saúde, 72% a mais do que há oito anos. As Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) e as AMAs Especialidades tornaram-se marcas da atual administração, com o intuito de desafogar os prontos-socorros, nos quais a longa espera é fonte do maior número de queixas da população. Em 2011, os atendimentos realizados pelas AMAs e AMAs Especialidades somam 11 milhões e, mesmo assim, os serviços de urgência e emergência da cidade continuam lotados.

DIFICULDADE DE ACESSO
Os hospitais do tipo "porta aberta” são os mais procurados pelos usuários do sistema público. No entanto, mais de 90% dos casos atendidos nessas unidades poderiam ser absorvidos por outras voltadas justamente à baixa complexidade, como as 119 AMAs, o que deixaria a equipe médica disponível para os eventos mais graves, a exemplo das crescentes – e preocupantes – ocorrências causadas por acidentes de trânsito.

AMAs que funcionassem 24 horas por dia, sete dias por semana, poderiam potencializar a capacidade de absorção dos casos que não demandam internação, evitando, assim, a passagem desnecessária dessas pessoas pelos hospitais de nível secundário e terciário.

Outro ponto crítico está no atendimento por especialistas. As AMAs Especialidades, criadas para agilizar essas consultas e exames, ainda atuam de forma tímida. Hoje são apenas 17 unidades, quantidade incapaz de equacionar a demanda, o que, novamente, gera migração para os hospitais, que, em sua maioria, estão na região central.

SAÚDE DA FAMÍLIA
Atualmente, a ESF cobre 44,7% da população. Suas 1.266 equipes visitam as famílias inscritas e acompanham os tratamentos e a evolução do quadro de saúde de todos, desde crianças até idosos. O programa permite que o paciente seja tratado em casa ou, se for o caso, encaminhado de maneira ágil e menos burocrática. Este contato direto e frequente auxilia na prevenção para uma vida mais saudável.

Estruturar uma equipe de ESF hoje, porém, não é fácil. Há alta rotatividade de profissionais e, por vezes, falta de qualificação. É fundamental a articulação entre o poder público e o aparelho formador para que os médicos contratados tenham residência em Medicina de Família e Comunidade, o que lhes garantiria o treinamento essencial para estar nesta linha de frente. Por outro lado, ainda não existe uma política de atração e fixação desses profissionais na periferia. Remuneração digna e garantias trabalhistas são indispensáveis para o suporte da ESF em longo prazo, como em todo o sistema.

Má Distribuição
Mesmo que o município conte hoje com 14,3 mil médicos, 6,2 mil a mais do que em 2004, sua distribuição permanece deficiente. Além do mais, a falta de um plano de carreira no serviço público faz com que o privado seja mais convidativo. O SUS até oferece, em alguns contextos, salários atraentes, mas, em poucos anos, talvez este não seja mais o único foco do profissional, que pode preferir, por exemplo, estar mais próximo da família ou em locais mais seguros.

A distribuição desigual de leitos também preocupa. A atual gestão passou a contratar leitos em hospitais particulares para minimizar o déficit, mas continuam existindo regiões na cidade em que o número de leitos por mil habitantes é zero. Inaugurados nos últimos cinco anos, o M’Boi Mirim e o Cidade Tiradentes quebraram o jejum de 17 anos sem entrega de hospitais pela saúde municipal, mas não foram suficientes para acompanhar o crescimento da população em todo este período. Outros três hospitais previstos nas propostas deste governo ficaram para 2013, ou seja, para o novo prefeito e equipe.

É grave, ainda, a ineficiência de comunicação tanto entre os serviços municipais quanto entre municipais e estaduais, estes últimos mais voltados à alta complexidade. A rede deve ter mais agilidade para oferecer atendimento, por exemplo, a um paciente que sai de uma internação e precisa continuar o tratamento numa Unidade Básica de Saúde (UBS), reduzindo a burocracia e melhorando a resolubilidade. A boa estrutura da rede também permitiria diminuir o tempo de espera e um melhor serviço de referência e contra-referência.

As questões da saúde em São Paulo estão todas interligadas, nos problemas e nas soluções. Fica claro que os avanços não surgirão de uma só vez, nem numa única combinação de fatores. Contudo, é essencial que os novos gestores realmente encarem o desafio da saúde da maior cidade do Brasil e saibam administrar este que é o terceiro maior orçamento do país (quase R$ 7 bilhões), atrás apenas da União e do Estado de São Paulo.

Fontes: Paulo Celso Nogueira Fontão (2º secretário do Departamento de Medicina de Família da APM e representante da APM no Conselho Estadual de Saúde); Secretaria Municipal de Saúde; vereadores Jamil Murad, Gilberto Natalini e Milton Ferreira; Mário Bracco (médico coordenador do Grupo de Trabalho de Saúde da Rede Nossa São Paulo); professor Adib Jatene

 

Rua Vergueiro 1353 - sl 1404 - 14ºandar - Torre Norte Top Towers Office - São Paulo/SP - Brasil CEP: 04101-000 Tel.+55(11) 5084-9463/5083-3876
Copyright © Academia Brasileira de Neurologia | Política de privacidade e uso de informações