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13/08/2012

Médicos paulistas param de atender planos de saúde em setembro


Em plenária estadual no dia 9 de agosto, na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), lideranças representativas de todos os médicos do estado de São Paulo decidiram por unanimidade interromper o atendimento eletivo aos planos de saúde como protesto em 6 de setembro. As urgências e emergências estarão garantidas.

Os médicos reivindicam respeito aos direitos dos pacientes, fim das pressões para reduzir exames, internações e outros procedimentos essenciais ao adequado tratamento, valorização imediata dos honorários e inserção de cláusula de reajuste anual nos contratos.
A plenária foi organizada pela APM e suas Regionais, Cremesp, Sindicatos de São Paulo, Academia de Medicina de São Paulo e Sociedades de Especialidade. Durante o encontro, os médicos deram mais uma vez cartão vermelho aos planos de saúde.
A decisão de suspender o atendimento tem como objetivo chamar a atenção da opinião pública sobre a postura dos planos de saúde de não apresentar propostas consistentes aos profissionais de medicina. Esta é a primeira vez este ano que haverá paralisação dos médicos. Em 25 de abril, a classe organizou histórica manifestação na Avenida Paulista e procurou as empresas do setor de saúde suplementar para o diálogo.
Desde então, foram realizadas mais de 30 reuniões com 18 operadoras. Mesmo assim, nenhuma delas atendeu a expectativa da classe de pagar R$ 80 pela consulta, os valores da CBHPM para os procedimentos e colocar em contrato o reajuste anual. O diretor adjunto de Defesa Profissional da APM, Marun David Cury, apresentou o resultado das negociações. Veja abaixo.

Lideranças
Para o presidente da APM, Florisval Meinão, as entidades estão realizando um trabalho intenso e esta experiência, desde o movimento do ano passado, tem sido bastante positiva, pois houve avanços significativos no valor da consulta e agora o início da recomposição dos valores dos procedimentos. "O importante é que os médicos continuam mobilizados e firmes nas ações pela valorização de seu trabalho e pelo atendimento de qualidade aos pacientes”, ressalta.
O deputado Eleuses Paiva, ex-presidente da APM e da Associação Médica Brasileira, participou da plenária e lembrou a aprovação do projeto de lei 6964 pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, onde foi relator.
A matéria institui o reajuste anual para os médicos na saúde suplementar e preconiza que, se não houver acordo entre os profissionais e os planos de saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) arbitrará o índice. "A união entre as entidades médicas é o único caminho viável para enfrentar o poder econÿmico das operadoras”, enfatiza o parlamentar.
"Vivemos um momento crítico, em que necessitamos de ganhos concretos para manter abertas as portas dos consultórios”, destaca o diretor de Defesa Profissional da APM, João Sobreira de Moura Neto. "As empresas têm tido autorização para aumentar suas mensalidades acima da inflação desde o início da regulação do setor. Todos lucram na saúde suplementar, menos o médico, que fica com toda a responsabilidade sobre cada caso atendido e recebe remuneração aviltante”, reforça o presidente do Cremesp, Renato Azevedo Júnior.
Também participaram da plenária o presidente da Associação Médica Mundial, José Luiz Gomes do Amaral; o vice-presidente da Associação Médica Brasileira, Jorge Carlos Machado Curi; o presidente do Simesp, Cid Carvalhaes; e o representante da Academia, José Roberto Baratella; entre diversas lideranças médicas.
A próxima reunião das entidades e sociedades de especialidades está agendada para 20 de agosto. Enquanto isso, uma comissão de trabalho iniciará a organização das atividades relativas à suspensão do atendimento no dia 6 de setembro.

 

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